Robert R. Blake e Jane S. Mouton (1989) procuraram representar os vários modos de usar autoridade ao exercer a liderança através do Grid Gerencial. Esta representação possui duas dimensões: preocupação com a produção e preocupação com as pessoas.
A preocupação com a produção refere-se ao enfoque dado pelo líder aos resultados, ao desempenho, à conquista dos objetivos. O líder com este tipo de preocupação empenha-se na mensuração da quantidade e da qualidade do trabalho de seus subordinados.
A preocupação com as pessoas diz respeito aos pressupostos e atitudes do líder para com seus subordinados. Este tipo de preocupação revela-se de diversas formas, desde o esforço em assegurar a estima dos subordinados e em obter a sua confiança e respeito, até o empenho em garantir boas condições de trabalho, benefícios sociais e outras vantagens.
O inter-relacionamento entre as duas dimensões do Grid Gerencial expressa o uso de autoridade por um líder.
“Por exemplo, quando uma alta preocupação com as pessoas se associa a uma baixa preocupação com a produção, o líder deseja que as pessoas se relacionem bem e sejam ‘felizes’, o que é bem diferente de quando uma alta preocupação com as pessoas se associa a uma alta preocupação com a produção. O líder, aqui, deseja que as pessoas mergulhem no trabalho e procurem colaborar com entusiasmo” (Blake e Mouton, 1989, p.14).
Cinco estilos básicos de uso de autoridade são definidos por Blake e Mouton, a saber:
1.1 ESTILO 9.1 – ESTILO AUTORITÁRIO
A preocupação máxima com a produção e mínima com as pessoas caracteriza o líder que se utiliza da autoridade para alcançar resultados. Este líder, em geral, age de maneira centralizadora e controladora.
“Exijo de mim e dos outros. Investigo os fatos, as crenças e as posições, a fim de manter qualquer situação sob controle e certificar-me de que os outros não estejam cometendo erros. Não abro mão de minhas opiniões, atitudes e idéias, mesmo que isto signifique rejeitar os pontos de vista alheios. Quando o conflito surge, procuro atalhá-lo ou fazer valer minha posição. Dou grande valor a tomar minhas próprias decisões e raramente me deixo influenciar pelos outros. Assinalo fraquezas ou o fracasso em corresponder às expectativas” (p.38).
a) A GERÊNCIA
Em uma hierarquia bem definida, o gerente ou supervisor tem a figura de uma autoridade. Os subordinados devem fazer o que ele ordena, sem divergência de opinião.
b) DIREÇÃO E CONTROLE
Parte-se do pressuposto que as pessoas não gostam de trabalhar, e, portanto, para se obter resultado é necessário direção e controle externos.
c) ERROS E FALHAS
Todos os erros estão atribuídos às pessoas. Consideram que quando o pessoal sabe da intolerância em relação aos erros, não os comete com freqüência. Os critérios para punição não uniformes e com formalidades para aplicação.
d) RELAÇÃO NO TRABALHO
Não há uma equipe, mas sim, o indivíduo. A relação de supervisão é de chefe para subordinado. Há um desencorajamento a interação entre subordinados.
e) COMUNICAÇÃO
A comunicação é formal, sempre por escrito, para evitar a desordem. A maioria do fluxo de informação é de cima para baixo, poucos são de baixo para cima.
f) SOLUÇÃO DE CONFLITOS E TENSÕES
As tensões, nesse tipo de liderança, são constantes e os conflitos também. Como a produção está a cima de qualquer outra variável dentro da organização, qualquer situação que a comprometa é considerada uma barreira. Os conflitos são resolvidos da forma mais rápida possível e a insubordinação é radicalmente evitada.
1.2 ESTILO 1.9 – ESTILO PATERNALISTA
A preocupação máxima com as pessoas e mínima com a produção caracterizam o líder que faz do ambiente do trabalho um clube campestre. Este líder busca sempre a harmonia de relacionamentos, mesmo que tenha que sacrificar a eficiência e a eficácia do trabalho realizado.
“Tomo a iniciativa de ações que ajudem e apóiem os outros. Procuro fatos, crenças e posições que sugiram estar tudo bem. Em benefício da harmonia, não me inclino a contestar os outros. Acato as opiniões, atitudes e idéias dos outros, embora tenha restrições. Evito gerar conflitos, mas se ocorrerem, tento acalmar os ânimos, a fim de manter todos unidos. Busco tomar decisões que preservem as boas relações e estimulo os outros a tomarem decisões sempre que possível. Encorajo e elogio quando ocorre algo positivo, mas evito dar um ‘feedback’ negativo” (p.53).
a) A GERÊNCIA
Não dá tanta ênfase na produção, sempre escutando as necessidades de seus subordinados, assegurando condições de trabalho que as pessoas trabalhem com conforto e segurança.
b) DIREÇÃO E CONTROLE
Procura não chamar as pessoas á responsabilidade, perdoando erros cometidos, evitando conflitos. Ao tomar uma decisão que desagrade a equipe , procura evitar dar essa ordem ou tenta persuadir o pessoal com simpatia, dando ênfase ao positivo e não ao negativo.
c) RELAÇÃO NO TRABALHO
A relação chefe-subordinado deixa de ser individual, de um-com-um, para um-com-todos, buscando o sentido de associação com o grupo. O gerente faz questão da formação de uma “família feliz”. Ele vê seus subordinados como seu produto mais importante e trata de satisfazê-los de todas as formas.
d) COMUNICAÇÃO
As comunicações informais são consideradas mais importantes que as formais. Os jornais e boletins informativos internos, quando existem, dão ênfase aos aspectos sociais da empresa.
e) SOLUÇÃO DE CONFLITOS E TENSÕES
Evitam-se desacordos, emoções negativas, rejeições e frustrações, buscando sempre a relação harmoniosa. Para o gerente é de grande relevância que as pessoas se sintam bem, sejam bem vistas e bem quistas pelos outros. Ele tenta conquistar as pessoas através do sentimento e da lógica, pela razão e pelo coração. Entretanto, transparece sua insegurança.
1.3 ESTILO 1.1 – ESTILO ANÁRQUICO
A preocupação mínima com a produção e com as pessoas, caracterizando um líder que desempenha uma gerência empobrecida. Este tipo de líder, em geral, adota uma postura passiva em relação ao trabalho, fazendo o mínimo para garantir sua permanência na organização.
“Faço o suficiente para ir levando. Aceito os fatos, as crenças e as posições que me são fornecidos. Guardo minhas opiniões para mim mesmo, mas respondo quando solicitado. Evito tomar partido, não revelando minhas opiniões, atitudes e idéias. Permaneço neutro ou tento manter-me fora do conflito. Deixo os outros tomarem suas decisões ou me conformo com o que quer que aconteça. Evito fazer críticas” (p.70).
a) A GERÊNCIA
Só assume responsabilidades de forma superficial, atribuindo as tarefas a seus subordinados, sem se preocupar em ajudá-los, nem em controlá-los.
b) DIREÇÃO E CONTROLE
Segue estritamente as normas e regras da empresa, pois para ele é mais simples do que manter uma flexibilidade de acordo com as situações e procurar problemas para resolvê-los.
c) ERROS E FALHAS
Os erros são geralmente ignorados, evitando responsabilidades, culpando os subordinados e descarregando suas responsabilidades sobre terceiros.
d) RELAÇÃO NO TRABALHO
O gerente procura se isolar de seus subordinados, pois menos envolvido ele fica com menos problemas no trabalho e menos problemas pessoais.
e) COMUNICAÇÃO
Sua comunicação é mínima, facilitando sua situação de alienação. Não há interesse que o liguem a produção, nem aos subordinados, nem aos chefes, logo não há o por que de se comunicar.
f) SOLUÇÃO DE CONFLITOS E TENSÕES
A solução é evitar qualquer tipo de conflito, sendo neutro diante das possíveis situações de tensão, atrito ou conflito, pois assim evita-se esforço.
1.4 ESTILO 5.5 – ESTILO DIPLOMÁTICO
O meio-termo, ou seja, a preocupação média com a produção e com as pessoas caracteriza o líder que vê as pessoas no trabalho dentro do pressuposto do homem organizacional. Este tipo de líder busca o equilíbrio entre os resultados obtidos e a disposição e ânimo no trabalho.
“Tento manter um ritmo constante. Aceito os fatos mais ou menos pela aparência e investigo os fatos, as crenças e as posições quando surgem discrepâncias óbvias. Expresso minhas opiniões, atitudes e idéias como quem tateia o terreno e tenta chegar a uma concordância por meio de concessões mútuas. Quando surge um conflito, tento encontrar uma posição razoável, considerada conveniente pelos outros. Procuro tomar decisões exeqüíveis que os outros aceitem. Dou ‘feedback’ indireto ou informal sobre sugestões para aperfeiçoamento” (p.87).
a) A GERÊNCIA
O gerente ou supervisor se preocupa com a produção, mas reconhece a importância das pessoas nesse processo, buscando sempre uma situação de equilíbrio, fazendo com que os dois fatores citados não sofram.
b) DIREÇÃO E CONTROLE
Evita exerce a autoridade formal, buscando sempre persuadir as pessoas a realizar aquela determinada tarefa, “vendendo idéias”, procurando explicar o porquê de a pessoa cumprir aquela ordem.
c) ERROS E FALHAS
A princípio o subordinado não sofre penalidades, mas fica ciente que na próxima vez, ele será castigado. As ações disciplinares, quando necessárias são dosadas de acordo com o grau de gravidade do erro. O gerente enfatiza a tradição, sendo o intérprete e zelador das leis, regras e regulamentos.
d) RELAÇÃO NO TRABALHO
A relação é individual, entre o chefe e o subordinado, com o sentido de supervisão e direção. O gerente procura explicar aos subordinados quais são os objetivos, as tarefas, os procedimentos, as normas em vigor. Utiliza-se de grupos e comissões para assessorá-lo, procurando sempre dividir as responsabilidades.
e) COMUNICAÇÃO
Acredita que toda organização deve ter suas normas, procedimentos políticas, com uma linha de comando bem definida, mas reconhece também a existência da organização informal.
f) SOLUÇÃO DE CONFLITOS E TENSÕES
Quando há um conflito, não é melhor deixar continuar, nem enfrentá-lo diretamente, o melhor a se fazer é aproveitar algo de cada parte conflitante e faze com que um lado ceda.
1.5 ESTILO 9.9 – ESTILO PARTICIPATIVO OU COOPERATIVO
A máxima preocupação com a produção e com as pessoas caracteriza o líder que vê no trabalho em equipe a única forma de alcançar resultados, estimulando assim, a máxima participação e interação entre seus subordinados na busca de objetivos comuns.
“Exerço esforço vigoroso e os outros aderem entusiasticamente. Procuro e confirmo as informações. Solicito e dou atenção a opiniões, atitudes e idéias diferentes das minhas. Reavalio continuamente meus próprios dados, crenças e posições bem como os dos outros, a fim de estar seguro da sua validade. Julgo importante expressar minhas preocupações e convicções. Reajo a idéias melhores do que as minhas, mudando meu modo de pensar. Quando o conflito surge, procuro saber seus motivos, a fim de solucionar as causas subjacentes. Dou grande valor à tomada de decisões certas. Procuro o entendimento e o acordo. Encorajo o ‘feedback’ de mão-dupla a fim de fortalecer a operacionalidade” (p.104).
Blake e Mouton caracterizaram este último estilo como o mais apropriado para o atingimento dos objetivos das organizações. Os treinamentos realizados por eles em programas de Desenvolvimento Organizacional visavam a fazer com que os líderes adotassem o estilo (9,9). Entretanto, pesquisas empíricas têm revelado que nem sempre este tipo de estilo de liderança é o mais indicado para a eficiência e eficácia dos resultados.
a) A GERÊNCIA
Utiliza os recursos e conhecimentos dos subordinados para planejar e dirigir a empresa. O pessoal entende os problemas da organização e de produção, ao modo que eles se envolvam como participante do resultado obtido no trabalho e pelo trabalho, fazendo que suas idéias tenham força e expressão e sirvam para melhor o desempenho da empresa. Assim, os colaboradores entendem seu papel de influenciar no resultado.
b) DIREÇÃO E CONTROLE
Nesse caso, há um alto grau de auto-direção e auto-controle, ao passo que os indivíduos participam dos objetivos da empresa e estão interessados no resultado.
c) ERROS E FALHAS
Quando ocorre um erro, o invés de se tentar descobrir um culpado ou puni-lo, essa situação torna-se uma oportunidade de melhoria, de se aprender algo, procurando esclarecê-lo, buscando as causas.
d) RELAÇÃO NO TRABALHO
O chefe é visto como um membro da equipe, é o elemento-chave quanto ao fluxo que vem de cima e o subordinado é o elemento-chave quando a informação deve ser transmitida para cima. O chefe é visto como um consultor, conselheiro e orientador nos assuntos de importância.
e) COMUNICAÇÃO
Há a preocupação no significado que as pessoas dão as palavras, ou seja, seu entendimento e compreensão. A comunicação é um trânsito de ida e vinda, deve ser franca e aberta.
f) SOLUÇÃO DE CONFLITOS E TENSÕES
A chave é saber manejar os conflitos, aproveitando seus aspectos positivos, sem serem escondidos e sim enfrentados, com interesse e sensibilidade. Devendo ser trazidos a discussão para resolvê-los pela análise de suas causas e não só através de seus sintomas.